Olá, amigos leitores!
Recentemente, ao tomar conhecimento de como muitos professores iniciaram no
mundo da leitura, percebi que minha trajetória foi um pouco
diferente da dos demais colegas. Quando criança eu não recebi incentivo de meus
pais para entrar no mundo da leitura; pelo menos não do modo trivial (os pais
lendo para os filhos ou mesmo comprando livros para eles lerem), eles
incentivavam sim, ao estudo de modo geral.
Moradores do Nordeste, meus pais
estudaram quando eu já era adolescente e, talvez por falta de
conhecimento ou mesmo do estudo, só pensavam em trabalhar e não deixar faltar o
pão de cada dia na mesa dos filhos e também o material escolar, uma vez que
eles faziam questão que os filhos estudassem (lembro-me que naquela época os
livros escolares eram comprados a prestação).
Quanto ao hábito da leitura, lembro-me que certo dia minha mãe chegou do
mercado com algumas compras e no meio de tanta coisa tinha uma caixa de sabão
em pó que vinha com um brinde...um livro; como sabia que meus pais não iam ler
e que meus irmãos só pensavam em brincar, peguei aquele livro e comecei a
lê-lo, era um romance que eu gostei tanto que li em dois dias. Depois
daquele livro comecei a dedicar-me a leitura e, como a Bíblia era o único livro
que tínhamos em casa, era Ela que eu lia, até o momento em que meus professores
começaram a adotar livros paradidáticos e eu deliciar-me com as histórias. Hoje
como mãe leio para meus filhos, compro livros e incentivo-os; e como
professora, além de incentivar meus alunos ao hábito da leitura, falo da
importância que a mesma produz em nossa vida e até brinco com eles dizendo
para lerem de tudo, até caixa de sabão em pó. (rsrsrsr)
Texto de Celita Veiga